segunda-feira, 11 de março de 2013

Chorão, o "poeta do gueto"


Alexandre Magno, Chorão, skatista, poeta do gueto. Assim se resume o artista que conseguiu através da música ser o porta-voz de uma geração que anda cada vez mais carente de ídolos. Personalidade forte, fugiu de casa após a separação dos pais aos 11 anos. Aos 14 abandonou a escola e só veio se reencontrar quando encontrou os companheiros do skate e de banda. Aos 27 anos, ganhou uma nova casa, um novo sentido pra vida, o Charlie Brown Jr. 

A banda apresentou seu primeiro CD em 1997, com muita rebeldia e letras sobre curtição, festas e referências ao público jovem que era seu nicho até então. De lá pra cá, muita coisa mudou, a essência continuou a mesma, mais Chorão passou do cara que escrevia letras para adolescentes, viu seu público envelhecer, criar responsabilidades e teve que evoluir também.  E não decepcionou, saiu da música de gueto, saiu da música de garotos e garotas, para atingir um público maior, chegando nos últimos anos a um nível poético em suas músicas considerável.

Durante a sua carreira passeou com maestria pelo rock, reggae, rap, hardcore. Soube tocar em cheio à alma de milhões e milhões de pessoas com o tal "Papo Reto". Era assim mesmo, direto, na veia, falando uma linguagem acessível, sem esquecer de trazer elementos mais complexos para enriquecer sua obra. Quando falava, falava com segurança (como no show em 2011 em Salvador, único que tive o prazer de assistir), tendo grande presença de palco e dominava como ninguém seu público, e tenho certeza que ele sabia disso.

Trabalhou como roteirista em dois filmes “O magnata” e “O cobrador” (este último ainda em andamento). Era uma metralhadora de hits, com 16 músicas no topo das paradas, 9 cds de studio, 2 cds ao vio, 6 dvds, 2 coletâneas, 2 grammys latino e mais de 100 músicas que falam de praticamentetudo que alguém, gente como ele vive, ou viveu.  Deixa uma lacuna na música, especialmente no rock. Não quero comparar com Cazuza, Renato ou Raul Seixas, pois não vivi a época, não tenho como traduzir todo o contexto. Falo do que vivi, acompanhei, e Chorão junto com o Charlie Brown Jr. para mim são os melhores da sua geração, da minha geração. São quase duas décadas de conquistas, não um mero sucesso de verão, será sempre lembrado. Vá em paz, Choris.






Nenhum comentário:

Postar um comentário